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O geral das generalidades... para discutir tudo!
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Pedro
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Mensagem por Pedro »

Críticas ao pacote apresentado por Passos crescem dentro do PSD

Partido está indignado com a dimensão das medidas e reclama ao Governo que estenda os sacrifícios a outros sectores. JSD e TSD exigem equidade na distribuição dos sacrifícios.

As medidas de austeridade anunciadas na sexta-feira pelo primeiro-ministro estão a provocar um profundo descontentamento no PSD. "Sinto uma grande revolta dentro do PSD, porque o primeiro-ministro foi longe de mais. Estas medidas deviam ser as últimas a ser tomadas porque não se vê da parte do Governo vontade em acabar, por exemplo, com os benefícios fiscais das fundações". O desabafo é de um deputado da bancada do PSD que chega mesmo a dizer que Pedro Passos Coelho não está preparado para ser primeiro-ministro.

O outro partido da coligação, o CDS, diz que "quem toma estas decisões não anda na rua a falar com as pessoas" e que "o Governo não toma medidas para pôr ordem a clientela política". A Juventude Social-Democrata (JSD) e os Trabalhadores Sociais-Democratas (TSD) também discordam da receita do primeiro-ministro e pedem explicações.

A JSD exigiu ontem ao Governo que aumente a equidade na distribuição dos sacrifícios através de medidas de corte na despesa e que renegoceie as parceiras público-privadas rodoviárias, sugerindo mesmo a aplicação de um imposto extraordinário às empresas beneficiadas por rendas excessivas. Exortando o Governo a prestar todos os esclarecimentos, o conselho directivo dos Trabalhadores Sociais-Democratas (TSD) diz que as medidas anunciadas "transmitem a incómoda sensação de se onerarem os rendimentos do trabalho e, ao invés, desonerarem os rendimentos do capital. Tal sensação vem minar a indispensável confiança que tem de existir entre governantes e governados (sobretudo os que vivem do seu salário)".

Sexta-feira, um pouco antes da hora dos telejornais da noite, os portugueses ficaram a saber que a austeridade vai continuar e que vão perder entre um e dois salários em 2013. Passos Coelho comunicou que todos os trabalhadores, sejam do sector público ou do sector privado, passarão a descontar 18% para a Segurança Social, em vez dos actuais 11%. Em contrapartida descem as contribuições das empresas da actual taxa de 23,75% para 18%, conseguindo, assim, a redução de uma das suas bandeiras: a Taxa Social Única (TSU), reclamada pelos patrões e defendida pela troika. A função pública vai perder o equivalente a dois subsídios, tal como os pensionistas e os trabalhares do sector privado vão deixar de contar um salário mensal. Desta forma, o primeiro-ministro espera compensar o "chumbo" do Tribunal Constitucional e tentar combater o desemprego, aliviando as empresas.

O PÚBLICO falou ontem com várias personalidades do PSD e do CDS para perceber como é que os dois partidos que sustentam a coligação governamental receberam as palavras do chefe do Governo. Há indignação dentro do PSD e do CDS, mas os dois partidos negam qualquer desconforto na coligação.

Um deputado do PP salientava que "governar um país é coisa para gente crescida e madura". Marcelo Rebelo de Sousa, antigo líder do PSD, também pensa assim e domingo, no seu habitual comentário na TVI, acusou Passos de ser um primeiro-ministro "impreparado" e de ter feito um discurso ao país "no mínimo descuidado e no máximo desastroso".

Em declarações à Renascença, Alexandre Relvas, ex-dirigente do PSD, disse que "quem conheça o mundo das empresas sabe que estas medidas não terão impacto estrutural, nem sobre o emprego nem sobre as exportações. O impacto será marginal, quer no emprego, quer nas exportações". Mas Alexandre Relvas não está sozinho. Muitas outras personalidades do PSD pensam assim e dizem mesmo que a redução da TSU não vai criar um único posto de trabalho. Um deputado, que pediu para não ser citado, declarou que o primeiro-ministro foi mal informado sobre os efeitos das medidas que anunciou. E advertiu que a taxa de 7% não pode ser imposta, tem de ser negociada em sede de concertação social, porque - avisou - "não se pode delapidar e esmagar o poder de compra das famílias, massacrando-as". "Estou convencido que o primeiro-ministro será o primeiro a empenhar-se nisso", declarou o deputado.

Mota Pinto apoia

Mas há também no PSD quem esteja ao lado de Passos. Ausente no estrangeiro, Paulo Mota Pinto disse ontem ao PÚBLICO que as medidas respondem ao principal fundamento invocado pelo Tribunal Constitucional para declarar inconstitucionais os cortes nos subsídios de férias e de Natal. "Estas medidas são feitas perante uma necessidade do país criada por um acumular de desequilíbrios", afirmou o ex-vice-presidente do PSD, sublinhando que "apesar de todas as vozes que se têm levantado não vi ninguém a sugerir uma alternativa com efeitos financeiros semelhantes. O Governo não está no domínio das possibilidades, mas no domínio das necessidades", justificou.

Questionado pelo PÚBLICO, outro social-democrata, Couto dos Santos, presidente do Conselho de Administração da Assembleia da República, responde com uma pergunta: "Que saídas é que existem?" Insurge-se contra aqueles que hoje se assumem como "arautos dos desfavorecidos" e evidencia a posição da JSD que ontem exigiu ao Governo e ao primeiro-ministro a "tomada de medidas de corte na despesa pública que permitam conferir equidade entre os sacrifícios pedidos aos portugueses e os efectuados no emagrecimento do Estado".

Fonte: Público
Dado haver um tópico para a situação actual na União Europeia, e tendo em conta o estado actual de Portugal, parece-me que começa a fazer sentido um tópico para a situação actual do país. O anúncio das últimas medidas do governo trouxe um aumento da contestação ao governo, inclusivamente dentro dos próprios partidos da coligação. Pessoalmente, entendo por completo... as medidas anunciadas foram ridículas e apenas vão servir para agravar ainda mais a já precária situação da nossa economia. Por outro lado, certamente que garantiram um lugar ao primeiro-ministro e a vários membros do governo no conselho de administração de algumas empresas quando saírem da posição que ocupam actualmente...

Marylu
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Re: Portugal

Mensagem por Marylu »

São medidas ridículas que qualquer governante que conhecesse minimamente a realidade do seu país e as dificuldades com que a maioria vive, se envergonharia de anunciar, num primeiro momento, antes de um jogo de futebol.
Quem teve paciência para ouvir hoje o Sr. Ministro Vítor Gaspar percebeu (se não adormeceu) que são medidas que nos penalizam imenso e que contribuem para a degradação da economia e da sociedade. Não entendo como podem sequer pensar e afirmar que vão melhorar alguma coisa, aumentar a possibilidade de emprego e o etc e blá, blá, blá do costume.
Quem tem pouco vai sentir cada vez mais dificuldades. Quem está bem fica cada vez melhor. E como dizes, quem desgoverna este país e amigos, tem a vida garantida; presentemente, na quantidade de regalias que continua a ter e futuramente numa administração simpática…

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Pedro
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Re: Portugal

Mensagem por Pedro »

Portas cancela “à última hora” presença em homenagem a Fernando Henrique Cardoso

O antigo Presidente brasileiro Fernando Henrique Cardoso é, desde esta quarta-feira, doutor honoris causa pelo ISCTE-IUL. O ministro português dos Negócios Estrangeiros, Paulo Portas, que esteve recentemente no Brasil, deveria ter aberto a cerimónia, mas cancelou “à última hora”. Nuno Crato ocupou-lhe o lugar, em representação do Governo.

O ministro da Educação fez o discurso de abertura que, no programa, estava previsto ser feito por Paulo Portas, às 18h. Apesar de o mesmo programa ter uma referência ao facto de a presença do chefe da diplomacia portuguesa estar sujeita a confirmação, a ausência de Portas, que ainda ontem esteve no Parlamento, é notada sobretudo pelo momento de tensão que se vive na coligação governativa.

Além do ex-Presidente brasileiro, a plateia incluía dois antigos chefes de Estado portugueses – Mário Soares, que depois esteve à conversa com Fernando Henrique Cardoso, e Jorge Sampaio –, assim como António Costa, Pinto Balsemão, Almeida Santos, Artur Santos Silva, Leonor Beleza ou Maria de Lourdes Rodrigues. O Ministério de Portas foi representado pelo secretário de Estado dos Negócios Estrangeiros e da Cooperação, Luís Brites Pereira.

Paulo Portas esteve, na semana passada, em São Paulo, onde destacou o aumento das exportações registado entre Portugal e Brasil num tempo de crise económica. No entanto, a segunda figura do Governo, que no último ano se desdobrou em viagens diplomáticas, falhou a recepção a Fernando Henrique Cardoso, umas das mais destacadas personalidades da política brasileira.

Uma assessora do ISCTE-IUL, instituição de ensino superior que organizou o evento, disse ao PÚBLICO que a ausência de Paulo Portas foi comunicada “à última hora” e que Nuno Crato não foi convidado para o substituir. Segundo esta mesma fonte, o ministro da Educação estava já entre os convidados, sem confirmar se o cancelamento de Portas tinha acontecido hoje, dia em que o CDS convocou o Conselho Nacional para debater as novas medidas de austeridade.

Fonte: Público
Começa a parecer-me que o CDS está a tentar livrar-se da má imagem de pertencer ao governo neste momento...
Ministra da Agricultura alvo de tentativa de agressão enquanto discursava

A ministra da Agricultura, Assunção Cristas, foi hoje alvo de uma tentativa de agressão em Santarém, quando um indivíduo arremessou um ovo na sua direcção enquanto discursava na sessão de apresentação do Prémio Agricultura 2012 - Escolha Portugal.

O homem, entretanto identificado pela Polícia de Segurança Pública, entrou de rompante na sala do Teatro Sá da Bandeira, onde decorria a sessão, gritando “aldrabões” ao mesmo tempo que arremessou um ovo que passou de raspão junto à cabeça da ministra, sem contudo a atingir.

“Nos dias que correm, temos que estar preparados para tudo e o nosso papel é, compreendendo a dificuldade das pessoas, manter aquilo que é nossa preocupação central, neste caso mostrar que na agricultura temos um sector vivo”, disse Assunção Cristas no final da sessão, quando instada a comentar o incidente.

No momento da tentativa de agressão a ministras manteve a serenidade e prosseguiu o discurso que fazia na primeira de uma série de conferências promovidas pelos jornais Correio da Manhã e Negócios, em parceria com um conjunto de entidades.

Para Assunção Cristas, é essencial “mostrar que a agricultura é um sector vivo, dinâmico, de braços abertos para que os jovens apareçam e crescentemente comecem a afirma-se”.

“Isso é importante, ajuda-nos a sair da crise, ajuda a criar postos de trabalho, ajuda que a nossa economia fique melhor”, afirmou.

Fonte: Público
...mas provavelmente já é tarde demais.

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Löba
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Re: Portugal

Mensagem por Löba »

Um ovo?! Ao menos um cocktailzito Molotov...

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Pedro
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Re: Portugal

Mensagem por Pedro »

“Alguma coisa tem de ser ajustada” foi o recado de Ferreira Leite para os deputados

“Só por teimosia se pode insistir numa receita que não está a dar resultados”. Manuela Ferreira Leite deu esta noite um rara entrevista à TVI24 onde exortou o Governo a arrepiar caminho e os portugueses a fazerem “cada um o que tem de fazer para, em consciência, tentar inverter” o rumo.

Foi um recado directo aos deputados, que podem alterar ou chumbar o Orçamento do Estado. “Alguma coisa tem de ajustada”, afirmou a ex-ministra das Finanças de Cavaco Silva, porque entende que se o país seguir a linha traçada, “não só não se atingem os objectivos como o país chega ao fim destroçado”.

A antiga líder do PSD, que já foi conselheira do Presidente da República, pôs em xeque, com palavras duríssimas, toda a actuação do Governo. Acusou-o de governar com base em “modelos que estão a ser perniciosos e não têm nenhuma adesão à realidade”, sem conseguir explicar onde o país vai estar em 2014 e “como se salta daqui para o crescimento”.

Questionou o executivo sobre as negociações com a troika dizendo que, se fosse ela, havia de “berrar”, aqui como em Bruxelas. Acusou-o de “total insensibilidade social”, sobretudo para os reformados. E acabou a entrevista a admitir participar na manifestação de protesto marcada para sábado.

Sobre as medidas anunciadas sexta-feira pelo primeiro-ministro e as explicações posteriores do ministro das Finanças, Ferreira Leite foi lapidar: “Senti-me como na União Soviética de outros tempos. O ministro das Finanças a gerir a tesouraria das empresas privadas? Isso existe onde?” Na sua opinião, a transferência de parte da taxa social única dos trabalhadores para as empresas é suficiente para quebrar o consenso social e político. A começar pela coligação: “O CDS não deve saber de muitas coisas, porque não estão de acordo com o que prometeu ao eleitorado. A continuar pela concertação social: “Como pode o secretário-geral de uma central sindical aceitar uma medida que vai aumentar o desemprego?” E a terminar no país: “Ninguém foi ouvido sobre a TSU e ninguém a defende.”

Fonte: Público
Quando até a Ferreira Leite, que quando esteve no governo estava sempre a falar na necessidade da austeridade, toma uma posição destas... :?

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Chong Li
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Re: Portugal

Mensagem por Chong Li »

E por que razão só agora a Ferreira Leite feio reclamar??
Porque, desta vez, também lhe foram ao bolso!
Assim a credibilidade é pouca.

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Ricky147
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Re: Portugal

Mensagem por Ricky147 »

Chong Li Escreveu:E por que razão só agora a Ferreira Leite feio reclamar??
Porque, desta vez, também lhe foram ao bolso!
Assim a credibilidade é pouca.
Mexeste na ferida. Enquanto as coisas só caiam para o lado dos funcionários públicos andava tudo muito passivo, mas agora que chegou a todo o lado... Mas acho bem que haja contestação. Esta política do laisser faire não leva a lado nenhum!

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Chong Li
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Re: Portugal

Mensagem por Chong Li »

A respeito dos funcionários públicos, ainda hoje recebi este mail:
Para além da austeridade aplicada ao português comum os funcionários públicos tiveram um corte de 10% do vencimento, pagam mais contribuições, tiveram maiores penalizações no caso das reformas antecipadas e perderam dois subsídios. Qual foi a posição de quase todos os que agora protestam e acusam o governo de brutalidade? Ficaram calados, optaram pelo cinismo de ficarem em silêncio pensando que se sacrificavam alguns portugueses e os outros se escapavam.


Mas mais uma vez temos que recordar o famoso poema de Bertolt Bretch:


Primeiro levaram os negros

Mas não me importei com isso

Eu não era negro

Em seguida levaram alguns operários

Mas não me importei com isso

Eu também não era operário

Depois prenderam os miseráveis

Mas não me importei com isso

Porque eu não sou miserável

Depois agarraram uns desempregados

Mas como tenho meu emprego

Também não me importei

Agora estão me levando

Mas já é tarde.

Como eu não me importei com ninguém

Ninguém se importa comigo.



Bertold Brecht (1898-1956)

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Pedro
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Re: Portugal

Mensagem por Pedro »

CDS pondera abandonar o Governo

Segundo avança o jornal Público, na sua edição de hoje, o CDS-PP, que fez coligação com o PSD permitindo a formação de um Governo de maioria absoluta, pondera abandonar o Governo. O partido de Paulo Portas só o faria depois de contribuir para a aprovação do Orçamento do Estado de 2013, pelo que isso não estaria em causa (se tal acontecesse a situação política chegaria a um impasse e podia tornar-se insustentável, levando à queda do Governo como um todo), mas certo é que pondera seguir um caminho diferente do PSD de Passos coelho, daí para a frente.

O facto de Paulo Portas ter sido o único líder de partido que ainda não se pronunciou sobre as novas medidas de austeridade tem contribuído para a especulação sobre um clima de mal-estar, e o simples facto de estar em silêncio já tem sido interpretado como sinal de divergência efetiva com os sociais-democratas.

Segundo o Público, o CDS tentará ainda fazer valer os seus pontos de vista, para tentar manter a coligação de pé, mas se tal não se verificar este poderá ser o fim do Executivo atual conduzindo, no mínimo, a uma remodelação do Governo.

Fonte: A Bola
Não consegui encontrar esta notícia no site do Público, pelo que suponho que seja um exclusivo da edição imprensa. Não ficaria espantado se acontecesse, porque tenho estado a ficar com a ideia que o PP quer demarcar-se deste governo... mas também não me parece provável, já que ficariam sem qualquer hipótese de voltar a pertencer ao governo. No entanto, também duvido que estejam a gostar de pertencer a um governo para ser apenas um fantoche que vai tendo de concordar com tudo o que lhe metem à frente.

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Löba
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Re: Portugal

Mensagem por Löba »

Chong Li Escreveu:E por que razão só agora a Ferreira Leite feio reclamar??

Ela não está a reclamar. Está apenas a tentar «salvar a face» do PSD e que o público veja estas medidas como uma questão «não partidária», como já tenho lido por aí.

E eu acredito que consiga, se as pessoas já foram otárias ao ponto de votar neles...devemos ser o povo mais burro do Mundo.

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Pedro
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Re: Portugal

Mensagem por Pedro »

Membros do Governo pedem reforço de segurança

Forte contestação levam os governantes a temerem reações violentas da população.

Os grandes níveis de contestação e protesto levaram alguns membros do governo a pedir um reforço na segurança pessoal.

Ministro das Finanças, ministro da educação e primeiro-ministro foram sempre recebidos com assobios e insultos em diversos locais. Pedro Passos Coelho já reforçou o seu contigente pessoal de segurança e a sua mulher também anda acompanhada de guarda-costas.

Fonte: TVI 24
Suponho que não esteja relacionado com a manifestação de hoje, mas parece-me que começa a haver alguma preocupação nos membros do governo... infelizmente, como é habitual, é apenas preocupação consigo próprios...

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Re: Portugal

Mensagem por Pedro »

PSD vai reunir órgãos dirigentes para responder a Portas

A direcção do PSD não gostou das conclusões do CDS em relação às medidas de consolidação financeira e convocou os principais órgãos dirigentes do partido para responder a Paulo Portas.

Os sociais-democratas convocaram os órgãos de comunicação social ao meio da tarde deste domingo. A comunicação coube a Jorge Moreira da Silva, primeiro vice-presidente do PSD. A declaração foi curta e fria.

“Como sabem o CDS apresentou hoje as conclusões em relação as medidas do Governo para a consolidação orçamental. O conteúdo destas declarações do líder do CDS-PP não são indiferentes para a coligação e, porventura, para o próprio Governo”, afirmou.

Por isso, anunciou que a comissão permanente do PSD reúne já nesta segunda-feira e a comissão política, “com a presença do presidente do partido”, Pedro Passos Coelho, na quarta-feira. Vão, acrescentou Moreira da Silva, “analisar de modo muito detalhado” as conclusões do CDS.

Paulo Portas afirmou hoje: “Se me perguntam se eu soube? Claro que soube. Se me perguntam se eu tive uma opinião diferente. Tive uma opinião diferente. Se me perguntam se eu alertei. Alertei. Se me perguntam se eu defendi que havia outros caminhos. Defendi. Se me perguntam se eu bloqueei a decisão. Não bloqueei pela simples razão de que fiquei inteiramente convencido que isso conduziria a uma crise nas negociações com a missão externa, a que se seguiria uma crise do Governo, a que se seguiria um caos que levaria a desperdiçar todo o esforço já feito pelos portugueses”.

Fonte: Público
Parece que as coisas não estão a ficar simpáticas para os lados da coligação...

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Re: Portugal

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Crise faz consumo de papas aumentar 7%

A facturação da Nestlé caiu 6% no primeiro semestre, mas a marca de papa que o grupo comercializa viu a facturação aumentar.

Uma refeição que custa 23 cêntimos ganha outro significado quando o orçamento familiar está em derrapagem. Por isso, a Nestlé já sabia que as vendas da sua histórica marca Nestum iriam crescer com a crise.

Contudo, o gigante alimentar não contava com uma subida tão expressiva, em total contraciclo com a quebra geral do negócio da multinacional em Portugal: mais 7% no primeiro semestre em comparação com o mesmo período do ano passado, que corresponde a um acréscimo de 140 toneladas.

António Reffóios, director-geral da Nestlé, não esconde a surpresa. "Já contávamos com esta tendência porque em 2003, um ano também difícil, o consumo de Nestum cresceu. Mas não esperava que o aumento atingisse este nível. Nos tempos que correm um mercado que cresce mais de 5% é dinâmico", resume.

Há nove anos, Portugal estava em recessão e a economia caía 0,9%. O país estava "de tanga", vaticinava Durão Barroso quando chegou ao Governo em 2002. As vendas desta marca de papa também cresceram mas, hoje, a diminuição do rendimento das famílias é maior. Não são só as crianças entre os três e os 10 anos que estão a comer mais Nestum. Também os mais velhos, acima dos 60, substituem o jantar ou o almoço por um prato de papa que "custa menos do que um café e é nutricionalmente equilibrado", sublinha António Reffóios.

A mudança dramática dos hábitos dos consumidores, impulsionada pela crise, trouxe surpresas para a indústria do grande consumo, cujo mercado está a cair 0,5% (dados Nielsen citados pela Nestlé). As marcas de fabricante recuaram 4,1% e as da grande distribuição, pelo contrário, dispararam 7%. Em Portugal, as vendas líquidas da multinacional Suíça desceram 5,7%, para 230 milhões de euros nos primeiros seis meses do ano, em comparação com o mesmo período de 2011, abaixo das estimativas iniciais. "Prevíamos um ano que poderia estar entre uma quebra de 2% ou 0% de evolução", revela o director-geral.

O desempenho, pior do que o esperado, tem múltiplas explicações. Um quarto das famílias começou a ter dificuldades em pagar as suas despesas correntes e os portugueses passaram a consumir mais em casa, poupando nos gastos com cafés e restaurantes. No caso da Nestlé, que detém as marcas Buondi ou Sical, as vendas no canal horeca pesam 40% no negócio. Depois, o aumento dos custos com matérias-primas, combinado com a subida do IVA em Janeiro fizeram disparar os preços ao consumidor entre 8 a 10% no mercado global, retraindo ainda mais o consumo. As vendas dos produtos abrangidos pela alteração das taxas do imposto – que vão desde um simples puré de batata, às pizzas congeladas ou frutos secos e fiambre – desceram em geral 8%.

Na Nestlé, sentiu-se ainda uma descida de 1,7% das exportações. "Há mercados para onde exportamos que também estão a sofrer, sobretudo na Europa, o destino principal dos nossos produtos", explica António Reffóios.

Com as atenções viradas para o preço mais baixo, os portugueses passaram a fazer mais refeições em casa e, por isso, o leite condensado e as tabletes de chocolate de culinária da Nestlé cresceram nos primeiros seis meses do ano. A empresa de origem suíça tem vindo a adaptar-se aos novos tempos e deu prioridade a produtos acessíveis a todas as bolsas, denominados internamente de "produtos de posicionamento popular".

Nesta lista com mais de 30 referências está a papa Nestum, os chocolates Rajá, os mini KitKat, embalagens de 20 gramas de Nescafé (e não de 50 gramas) ou o Directo ao Forno, da Maggi, que depois do sucesso inicial, registou descidas neste primeiro semestre.

Os mais resistentes ao contexto são os chocolates (cujas vendas se mantiveram iguais) e o mercado de comida para animais, que aumentou 3% e já pesa 10% (40 milhões de euros) nas receitas globais.

Fonte: Público
Um efeito peculiar da crise... e um sinal que as coisas estão a ficar muito más para um número cada vez maior de pessoas.

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Pedro
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Re: Portugal

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Conheça os dez impostos que vão subir com o Orçamento de 2013

Será mais receita do que despesa, mais impostos que cortes no Estado. Para 2013, o novo Orçamento do Estado vai carregar nos escalões de IRS para compensar o chumbo do Tribunal Constitucional e o falhanço da proposta TSU.

Na apresentação das medidas, Vítor Gaspar admitiu que o equilíbrio virtuoso da consolidação orçamental, feita com dois terços da parte da despesa e um terço do lado da receita, será difícil de atingir. Isto apesar da Comissão Europeia ter pedido alternativas às mexidas profundas na TSU através da aprovação de medidas de equivalência "quantitativa e qualitativa".

Os novos impostos

1.Sobe o IRS, diminuem os escalões
O Governo vai eliminar três escalões no IRS, fazendo com que passem a existir apenas cinco intervalos de rendimento. Perante esta reorganização e a consequente alteração das taxas, as famílias devem preparar-se para uma forte subida do imposto a pagar em 2013. No total, com todas as mudanças que está a desenhar para o IRS, o Governo estima que a fatura deste imposto suba cerca de três pontos percentuais face ao valor pago este ano.

2. IRS a dobrar com sobretaxa de 4%
Os rendimentos de 2013 vão ser sujeitos a uma sobretaxa de 4%, semelhante à aplicada em 2011 no subsídio de Natal, confirmou ontem Vítor Gaspar. O Governo repete o esquema mas desta vez o efeito será mais duro para as famílias: em vez de 3,5% esta taxa adicional do imposto será de 4% e vem somar-se ao agravamento que muitos portugueses irão sentir devido à redução dos escalões deste imposto.

3. IRS a triplicar com taxa de solidariedade
Quem está no último escalão irá continuar a pagar uma taxa de solidariedade de 2,5%. Na prática, o IRS sobre o último escalão sobe de 49% para 54%

4. IMI aumenta sem teto
O Governo vai eliminar a cláusula de salvaguarda do IMI que limitava as subidas deste imposto em 2013 75 euros. "Será eliminada a cláusula de salvaguarda geral”, disse Vitor Gaspar quando referiu as medidas fiscais que vão incidir sobre o património, sem esclarecer se os contribuintes mais pobres serão uma exceção a esta nova regra. No final deste ano deverá ficar concluída a avaliação geral dos 5,2 milhões de imóveis que não foram transacionados depois de janeiro 2004.

5. Tabaco aumenta
O Governo decidiu aceitar a sugestão da Confederação Empresarial de Portugal (CIP) e aprovar um aumento do imposto sobre o tabaco. A CIP tinha proposto na Concertação Social de 25 de setembro, uma subida em 30% do Imposto sobre o Tabaco. O objetivo é que a receita adicional obtida neste imposto possa acomodar a descida da taxa social única (TSU) para as empresas exportadoras.

6. Taxa sobre as transações financeiras
O Governo vai avançar com um novo imposto sobre as transações financeiras e capital, anunciou o Ministro das Finanças. As taxas sobre transações financeiras foram apresentadas em Bruxelas e, Portugal, foi um dos países que apoiou. Recentemente, a Alemanha e a França reforçaram o pedido. Sem adiantar pormenores, Vítor Gaspar destacou o facto de em França o imposto ter rendido entre 350 e 500 milhões de euros, em Portugal os "montantes seriam muito menores que estes valores".

7. Depósitos e mais-valias pagam mais
Entre as principais mudanças previstas já para este ano destaca-se o aumento de 25% para 26,5% da taxa liberatória (retida na fonte) aplicável a rendimentos de capital, incluindo juros e dividendos. Além disso, há um aumento de 30% para 35% dos impostos sobre as transferências para 'offshores'.

8. Produtos de luxo
Os carros de luxo barcos e aviões particulares vão pagar mais impostos, mesmo que ainda não se saiba qual é o aumento. Esta subida já tinha sido anunciado por Vítor Gaspar e incide já em 2012 sobre estes bens.

9. Imposto sobre casas de luxo
Até ao final de novembro, os proprietários de casas cujo valor patrimonial seja superior a um milhão de euros terão de pagar, a título de Imposto do Selo, uma taxa adicional de 0,8%, caso o imóvel ainda não tenha sido avaliado segundo as regras do Imposto Municipal sobre Imóveis (IMI), aprovado em 2003. Caso o imóvel já tenha sido avaliado pelas novas regras, então a taxa será de 0,5%. No próximo ano, esta taxa sobe para 1%.

10. IRC
Em 2013, o Governo vai baixar a fasquia a partir da qual as empresas pagam a taxa máxima de derrama. Até agora, este patamar começava nos 10 milhões de euros, baixando agora 7,5 milhões. Ao mesmo tempo serão reduzidos os descontos concedidos a empresas que contraíam dívida.

Fonte: Dinheiro Vivo
Mais um aumento absurdo de impostos... aposto que, daqui a um ano, estão de novo a queixar-se que não compreendem como é que a receita fiscal está a diminuir, o desemprego a aumentar e a economia sem dar sinais de retoma. Aproveitando uma citação de um comic dos X-Men, "não é preciso uma bola de cristal para prever o óbvio"... mas dava jeito que o governo tivesse um mínimo de inteligência para reconhecer o óbvio.

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Pedro
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Re: Portugal

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Cavaco destaca as vantagens dos países que oferecem melhores salários

Presidente da República diz que o investimento feito em capital humano pode vir a ser aproveitado não por quem investiu mas por quem oferece melhores condições de trabalho.

Cavaco Silva colocou a meio da tarde desta quarta-feira, já depois do ministro das Finanças ter revelado um “enorme aumento de impostos”, uma mensagem no seu Facebook em que alerta para o facto de “o investimento feito em capital humano pode vir a ser aproveitado não por quem investiu mas por quem oferece melhores condições de trabalho, quer no plano salarial quer no da realização pessoal”.

Cavaco começa por lembrar que, em Madrid, “para além de receber das mãos do Rei de Espanha, conjuntamente com o Presidente da Itália, o Prémio Nueva Economia”, participou na reunião da Cotec Europa, de que fazem parte as empresas inovadoras portuguesas, espanholas e italianas.

“Foi uma reflexão sobre o futuro das economias do Sul da Europa e o risco de uma deslocalização, em larga escala, de investigadores e de mão-de-obra altamente qualificada. Desse modo, o investimento feito em capital humano pode vir a ser aproveitado não por quem investiu mas por quem oferece melhores condições de trabalho, quer no plano salarial quer no da realização pessoal”, afirmou

“Uma agenda de crescimento e de competitividade para o médio e longo prazo”, acrescenta, “tem de ter em conta este problema, que já é real: os mais qualificados, aqueles que potenciam a inovação, estão a deslocar-se para os países do Norte da União Europeia, com isso contribuindo para aprofundar ainda mais assimetrias que põem em risco a coesão da Europa”.

E para o Presidente da República, essa “é uma questão que Portugal não pode ignorar”.

Fonte: Público
Mais uma coisa terrivelmente óbvia para mim, mas que aparentemente é uma descoberta incrível para quem nos governa. É óbvio que quem mais tem a ganhar com a situação portuguesa em termos de mão-de-obra são os países do norte e centro da Europa. Por um lado, ganham acesso a mão-de-obra barata com a descida dos salários. Por outro, ficam com acesso facilitado à nossa mão-de-obra qualificada, que custou dinheiro ao país a formar, mas que é o próprio primeiro-ministro a mandar embora. Têm ainda o bónus de perder um concorrente. Para esses países, o empobrecimento de Portugal é uma óptima notícia. Incrivelmente, são também eles que o governo deixa que decidam o nosso futuro.