Hipers fazem negócio com nova lei dos sacos de plástico

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Hipers fazem negócio com nova lei dos sacos de plástico

Mensagem por Pedro » sábado, 14 fevereiro 2015 10:10

Hipers fazem negócio com nova lei dos sacos de plástico

Os sacos de plástico leves, que a partir deste domingo passam a ser taxados a dez cêntimos (IVA incluído), vão desaparecer das caixas de supermercados. Mesmo que alguém os queira comprar, operadores da grande distribuição como o Continente, o Jumbo ou Intermarché vão deixar de os ter, passando a vender sacos de plástico de maior qualidade ou outros com asas, de ráfia ou trolleys. Mas se o sector se escapa, assim, da obrigação de cobrar a taxa aos clientes, os portugueses não terão outra alternativa senão pagar ou reutilizar. E, em vez de financiarem o Estado ou o Fundo para a Conservação da Natureza e da Biodiversidade, estão a fazer crescer as vendas destes produtos alternativos.

No último mês, as principais cadeias de hiper e supermercados têm aumentado a oferta de sacos e a maioria optou por deixar de disponibilizar os que são alvo da contribuição, introduzida no âmbito da fiscalidade verde. O diploma incide nos que têm alças e uma espessura igual ou inferior a 0,05 milímetros, ou seja, menos resistentes e não reutilizáveis. Pelas suas características, são mais difíceis de tratar enquanto resíduos.

“Os sacos de plástico leves terão os dias contados”, admite Ana Isabel Trigo de Morais, presidente da Associação Portuguesa das Empresas de Distribuição (APED), sublinhando que a sensibilização ao consumidor das melhores práticas ambientais “não é uma novidade” para um sector que, desde 2002, tem à venda sacos reutilizáveis. A tendência é “para desaparecer” e, na grande distribuição, a sua presença “será praticamente residual”, continua.

Com a introdução da taxa o Governo espera encaixar este ano 40 milhões de euros e o Ministério do Ambiente garante que a verba não está em risco, mesmo que a grande distribuição – que compra grande parte dos sacos que chegam aos consumidores – passe a vender alternativas que escapam à contribuição. “Esta estimativa de receita foi calculada no pressuposto de a utilização de sacos plásticos leves reduzir para 50 sacos per capita em 2015, face aos cerca de 466 sacos per capita actuais”, diz fonte oficial.

Questionado sobre se este era o resultado esperado, o ministério diz que as alternativas “serão tanto mais sustentáveis quantas mais vezes permitirem a reutilização de cada novo saco gerado”. Novas soluções “são bem-vindas e permitirão que seja alcançado o objectivo que presidiu à criação da contribuição, que é a redução efectiva da utilização específica de sacos plásticos leves”, continua.

Este parece ser já um dado adquirido. Ontem de manhã, na fila de um hipermercado Jumbo dois clientes declinaram a oferta, ainda gratuita, de saco. A empresa lembra, através de fonte oficial, que nos últimos seis anos reduziu, em média, 30% de sacos de plástico por cliente. Nas lojas, a informação dada é que estas opções menos resistentes deixarão de ser opção. No Continente, a operadora de caixa também confirmava que, a partir de amanhã, só estarão à venda embalagens maiores, mais resistentes por dez cêntimos. “Estes vão desaparecer”, dizia, apontando para os sacos degradáveis que o hipermercado da Sonae (dona do PÚBLICO) usa há anos. Os de maiores dimensões têm a gama reforçada e custam 50 cêntimos. A gama foi reforçada e inclui “trolleys para transporte de compras”, diz a empresa.

Estratégias semelhantes

O Intermarché também “não vai disponibilizar sacos de plástico leves” e colocou à venda três soluções: com espessura superior a 0,05 milímetros, de papel para pequenas compras, e de maiores dimensões. Os preços só serão conhecidos domingo. Desde o início do ano, a cadeia de origem francesa já vendeu 46.421 sacos reutilizáveis, mais 14% do que no mesmo período de 2014.

O cenário do Lidl é semelhante. Os sacos, geralmente colocados debaixo do tapete rolante das caixas do supermercado, passam a custar seis cêntimos, são mais espessos e ostentam a frase “exclusivo do Lidl”. Há ainda outras duas alternativas: 12 cêntimos por um saco com alça e 50 cêntimos para os maiores.

O Minipreço já tinha admitido que, a longo prazo, a tendência seria para acabar com os sacos de plástico leves, mas nas lojas, por enquanto, ainda vão manter-se. A cadeia cobrava três cêntimos a intenção é passar a cobrar apenas o valor da taxa, como disse anteriormente ao PÚBLICO Margarida Monteiro, directora de comunicação.

Quem tem mantido o silêncio quanto ao preço que vai cobrar pelos sacos é o Pingo Doce. Fonte da empresa não quis adiantar mais detalhes, mas numa das lojas visitadas pelo PÚBLICO os funcionários informaram que o saco de plástico leve vai manter-se. A cadeia de supermercados do grupo Jerónimo Martins foi a primeira a adoptar sacos de papel e reforçou a oferta de sacos de ráfia ou trolleys. É expectável que acompanhe o mercado e cobre aos clientes apenas os dez cêntimos da taxa, assumindo o custo.

Depois de anos em que o tema dos sacos de plástico de graça significou guerra aberta entre a distribuição e o Governo, Portugal junta agora a outros países da Europa, como a Alemanha, onde o saco é pago. A generalização desta medida esteve em cima da mesa em 2007, quando o Executivo de José Sócrates quis cobrar cinco cêntimos, valor que seria revertido para o Instituo de Conservação da Natureza. Depois de grande contestação do sector do comércio, acabaria por recuar.

A nova lei prevê que as receitas obtidas com os sacos sejam distribuídas entre o Estado, dividindo-se entre administração central (75%), Fundo para a Conservação da Natureza e da Biodiversidade (13,5%), Agência Portuguesa do Ambiente (8,5%), Autoridade Tributária (2%) e para a Inspecção-Geral da Agricultura, do Mar, do Ambiente e do Ordenamento do Território (1%).

Fonte: Público
Em resumo, o Estado vai acabar por não ganhar nada com isto e os hipermercados aproveitam para passar a vender os sacos sem qualquer problema de imagem (já que a obrigação de pagar por todos os sacos não era bem vista anteriormente).

Para quem for fazer compras, fica a indicação para levar sacos de casa a partir de amanhã.

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Re: Hipers fazem negócio com nova lei dos sacos de plástico

Mensagem por Chong Li » domingo, 15 fevereiro 2015 10:44

De mim não vão levar um cêntimo.
E vou fazer questão de para o Continente levar sacos do Lidl, e para o Lidl levar sacos do Pingo Doce, etc. (daqueles de 0,50€ que já cá tinha em casa, antes disto surgir).
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Re: Hipers fazem negócio com nova lei dos sacos de plástico

Mensagem por Tide » domingo, 15 fevereiro 2015 15:09

Como fica mais barato comprar sacos do lixo do que sacos de compras, também vou deixar de levar.
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Re: Hipers fazem negócio com nova lei dos sacos de plástico

Mensagem por Pedro » quarta-feira, 18 fevereiro 2015 11:37

Isto está mesmo a transformar-se num negócio para as lojas. Tenho lido sobre alguns locais que anteriormente não cobravam pelo saco e agora passaram a cobrar... apesar de ser um saco isento de taxa. São principalmente estabelecimentos pequenos (take-aways, mini-mercados, lojas de roupa e assim), mas aparentemente há lojas grandes a fazer o mesmo (parece que a Fnac é um desses casos). Já começou o aproveitamento...

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Re: Hipers fazem negócio com nova lei dos sacos de plástico

Mensagem por Pedro » domingo, 31 maio 2015 20:33

Taxa sobre sacos não teve efeito desejado pelo governo

A tão badalada taxa sobre os sacos de plástico finos, em vigor há pouco mais de três meses, não terá tido o efeito "verde" desejado pelo Governo. Em contrapartida, há fabricantes em apuros e trabalhadores que perderam o emprego.

"A quebra na produção foi de 90% e, a nível de faturação, em três meses, foi superior a 30%", revela Paulo Almeida, diretor-geral da Plasgal, um dos maiores fabricantes portugueses de embalagens. "Os sacos finos representavam 60% da nossa produção, agora são 6% e é tudo para exportar. Mas até isso tem sido difícil", acrescenta. A empresa não tem estado a despedir, mas deixou de renovar contratos. "Em três meses, foram embora 15 das 115 pessoas que laboravam".

A adaptação das máquinas para produzir sacos de lixo não é rápida ou barata e também não dá garantias de compensar, ainda que a Silvex, a maior produtora nacional de sacos de lixo, já tenha dito que está a vender o dobro desde que os portugueses deixaram de contar com os sacos das compras para depositar os resíduos domésticos.

"Sofremos uma enorme concorrência dos produtos asiáticos. Chegam a preços impossíveis de bater e alguns são embalados cá, como se fossem portugueses", denunciou Borges do Amaral, diretor-geral da Topack, uma das empresas do maior grupo nacional de plásticos. "Os sacos do lixo não competem pela qualidade, é pelo preço", apontou, estimando que a taxa dos sacos originou uma quebra na produção entre 15% e 20%. "Temos prescindido de postos de trabalho e a procissão ainda vai no adro".

As encomendas de sacos mais grossos, isentos de taxas, são mais espaçadas e de menor escala, porque, como diz a Associação Portuguesa das Empresas de Distribuição, "o consumidor adaptou-se rapidamente a reutilizar". Mas nem por isso diminuiu a quantidade de plástico no lixo. Segundo Luís Veiga Martins, diretor-geral da Sociedade Ponto Verde, nos últimos três meses, "foram retomadas cerca de cem mil toneladas de resíduos de embalagens", o que representa um crescimento de 3% em relação ao mesmo período do ano anterior.

Para a Grande Distribuição, a medida terá sido vantajosa: ao invés de oferecer sacos de plástico finos, que representavam um custo unitário entre um e dois cêntimos, agora compram sacos isentos de taxa entre cinco e sete cêntimos, e vendem-nos ao consumidor a preços que começam em dez cêntimos, criando uma receita onde, antes, existia um custo.

"O pequeno comércio absorveu o custo dos sacos grossos, mais caros, e continua a oferecer os sacos", admite Nuno Camilo, presidente da Associação de Comerciantes do Porto. "Nesta altura, mesmo alguns que tentaram impor o pagamento dos sacos acabaram por recuar."

Fonte: JN
Ou seja, aconteceu aquilo que qualquer pessoa com o mínimo de inteligência (o que, infelizmente, exclui todo o governo) já sabia que ia acontecer. Mais uns meses e temos outra notícia igual, desta vez sobre a idiotice da lei da cópia privada.

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Re: Hipers fazem negócio com nova lei dos sacos de plástico

Mensagem por Alexrd » segunda-feira, 01 junho 2015 12:48

Pedro Escreveu:Ou seja, aconteceu aquilo que qualquer pessoa com o mínimo de inteligência (o que, infelizmente, exclui todo o governo) já sabia que ia acontecer.
Não percebi. Onde é que está o efeito indesejado? Quem está a ser afectado são as empresas do plástico, que é algo esperado já que o objectivo era reduzir a produção/consumo desses sacos.
Pedro Escreveu:Mais uns meses e temos outra notícia igual, desta vez sobre a idiotice da lei da cópia privada.
É diferente. A lei da cópia privada serve apenas para encher os bolsos aos parasitas da SPA.

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Re: Hipers fazem negócio com nova lei dos sacos de plástico

Mensagem por Ruizito » segunda-feira, 27 julho 2015 18:09

Alexrd Escreveu:
Pedro Escreveu:Ou seja, aconteceu aquilo que qualquer pessoa com o mínimo de inteligência (o que, infelizmente, exclui todo o governo) já sabia que ia acontecer.
Não percebi. Onde é que está o efeito indesejado? Quem está a ser afectado são as empresas do plástico, que é algo esperado já que o objectivo era reduzir a produção/consumo desses sacos.
A questão é simples: O consumo de sacos de plástico em geral não diminuiu como seria de esperar, simplesmente as pessoas substituíram os sacos das compras que usavam para o lixo, por sacos mesmo para o lixo.
No meu caso em concreto, só me prejudicou. Gasto o mesmo número de sacos que antes, só que em vez de serem grátis (os das compras) passei a pagar (os do lixo). Onde é que está o suposto beneficio ambiental disto?

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