Olá…
Venho partilhar mais um texto de Cristina Fernandes sobre o meu trabalho.
Pode ser consultado em:
http://www.jmfcoutinho.com/jmfc.htm
em:
filosografias - a duração íntima das imagens
Filosografias
A duração íntima das imagens.
Curiosamente, depois de uma consulta mais aturada ao ver as obras de J. M. F. Coutinho, volto a minha primeira impressão... (e aviso que acredito em Platão), a palavra é uma aproximação maior à essência (que parece impulsioná-lo) do que as imagens, porque as imagens são sempre substituição dessa essência (que não se pode fixar, apenas se pode apontar ou dela dar pistas). "A imagem é o poema visual" então é natural que a palavra contenha em si essa facilidade de dizer verdades complexas de forma simples...
...A multiplicidade de interpretações que nasce da imagem deriva da consciência íntima de quem a contempla e lhe dá nova vida na duração íntima, no tempo puro. Mas esse tempo inteiro não está na imagem, a imagem é essa imobilidade que é vida no que já não é, isto é, nessa imobilidade dá-se a mudança, porque nela aconteceu o movimento e os objectos que ela fixou são o indício desse movimento. Por isso a imagem pode afastar-nos daquilo que quis trazer à fala, as palavras não. Ainda que as palavras, tradutoras das ambiguidades humanas, se encontrem alojadas nas imagens, nas sonoridades, na luz, essa presença pode ser mais ou menos directa. As imagens (de entre as que vi) em que encontro essas densidades de uma forma mais nítida, essas palavras pintadas com luz, são as que contêm em si maior dramatismo... aquelas em que um indício assumido parece anunciar a tragédia, pelo confronto entre o ser e a fragilidade da vida.
(Outras imagens, onde a palavra se substitui pela sensação visual pura, despertam sentidos da vida, o império dos pormenores que passa despercebido ao comum das pessoas, imersas na realidade quotidiana).
Vejo nas suas imagens palavras (que com certeza são palavras por serem elas que melhor trazem ao mundo as ideias que fazem nascer as imagens... a filosofia, que mais não é do que uma incessante sede de sentido)...
...mas isto tudo pode não ser verdade, porque falar de imagens é falar daquilo que elas são para nós, daquilo que elas activam em cada consciência íntima... então tudo o que escrevo possivelmente não tem importância senão para mim, porque o sentido define-se em cada ser, não é universal.
Cristina Fernandes, 3 de Julho de 2008.