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Abertura do túmulo de D. Afonso Henriques
Enviado: segunda-feira, 18 junho 2007 17:43
por UrbanLife
Diário de Coimbra Escreveu:José Mattoso apoia não abertura do túmulo de D. Afonso Henriques
José Mattoso considera mais prudente esperar pelo desenvolvimento de novos métodos de análise e só depois abrir o túmulo do primeiro rei de Portugal, que se encontra na Igreja de Santa Cruz
O historiador José Mattoso concorda com a não abertura imediata do túmulo de D. Afonso Henriques por haver risco de se destruírem os vestígios existentes, mas considera que a análise seria «muito interessante» do ponto de vista historiográfico.
Tendo em conta que a análise do ADN implica a destruição dos materiais utilizados, Mattoso afirmou, numa entrevista à Agência Lusa, que é mais prudente esperar pelo desenvolvimento de novos métodos que não impliquem a destruição.
O historiador diz «respeitar» o parecer técnico que aconselha a não abertura neste momento da arca tumular, tanto mais que «tem havido várias investigações de ADN que não têm atingido resultados evidentes e arriscávamo-nos a destruir para sempre os vestígios que existem».
José Mattoso, autor de uma biografia do primeiro rei de Portugal, refere que «a investigação do ADN está em progresso, sendo provável que num futuro próximo os métodos sejam suficientemente seguros, mesmo com pedaços muito reduzidos, ou sem os destruir».
«Cláudio Torres pensa que o facto de as ossadas terem sido manipuladas por ocasião de várias intervenções anteriores, pelo menos as do tempo de D. Manuel e D. Miguel, tornam o exame de ADN inseguro e levariam a destruir os despojos actualmente existentes», afirma o autor de “Identificação de um país”.
O historiador não deixa de sublinhar que «os métodos científicos modernos são muito interessantes porque abrem novos campos para a interpretação histórica e consequentemente seria uma atitude muito pouco científica recusar a sua utilização neste caso».
O túmulo de D. Afonso Henriques encontra-se no altar-mor da igreja de Santa Cruz, em Coimbra, cujo mosteiro recebeu várias doações do rei, que ouvia atentamente os conselhos do seu prior S. Teotónio, o primeiro santo português.
O túmulo de D. Afonso Henriques foi aberto pelo menos duas vezes, a primeira no reinado de D. Manuel I. O relato feito nessa altura diz que o corpo estava praticamente incorrupto, um testemunho que Mattoso considera decerto mais resultante da veneração tributada ao rei do que de uma observação objectiva.
Na ocasião considerava-se que a sua estatura era a de «um verdadeiro gigante». As suas dimensões físicas tinham de estar à altura da obra moral do «construtor de um reino protegido por Deus» que D. Manuel, seu décimo neto, «estendera até aos limites da orbe terrestre».
Em 1832, o rei D. Miguel voltou a mandar abrir o túmulo. O relato existente já não fala do corpo mas apenas de ossadas «que continuam a ser as de um gigante».
Mattoso constata que a expressão «gigante» surge já nos Anais de Santa Cruz, escritos «pouco depois da sua morte. O cónego regrante que os escreveu deve tê-lo conhecido pessoalmente», afirma.
Nuno Lopes (Agência Lusa)
Agora que já existem declarações fundamentadas para a abertura e a não abertura do túmulo do 1.º Rei Português, qual a vossa opinião.
Discutam o assunto e votem.
Enviado: segunda-feira, 18 junho 2007 20:59
por Lino
Como já aconteceu com outros reis e faraós e figuras públicas, concordo que o túmulo seja aberto. Acho que é material delicado, mas para isso é que há a formação dos funcionários que vão ali trabalhar.
Re: Abertura do túmulo de D. Afonso Henriques
Enviado: segunda-feira, 18 junho 2007 22:35
por mario
Sou a favor da abertura do túmulo para ver o que realmente está lá dentro.
Acho estranho que os "danos" para uma análise de ADN hoje em dia implique a destruição de muito "material". Alguém faz ideia da quantidade de matéria necessária para uma análise deste tipo?
A avaliar pela transcrição da notícia, o Cláudio Torres contradiz-se no seguinte excerto:
Diário de Coimbra Escreveu:
«Cláudio Torres pensa que o facto de as ossadas terem sido manipuladas por ocasião de várias intervenções anteriores, pelo menos as do tempo de D. Manuel e D. Miguel, tornam o exame de ADN inseguro e levariam a destruir os despojos actualmente existentes», afirma o autor de “Identificação de um país”.
O historiador não deixa de sublinhar que «os métodos científicos modernos são muito interessantes porque abrem novos campos para a interpretação histórica e consequentemente seria uma atitude muito pouco científica recusar a sua utilização neste caso».
E, além disso, quem é que lhe garante que as intervenções anteriores (intervenção é uma palavra muito rebuscada para abertura) não alteraram já completamente o conteúdo do túmulo? Até podem ter posto outros restos mortais... ou até pode estar lá NADA.
Só há uma forma de saber: abrindo. Mesmo que isso venha a destruir alguns livros e lendas e desacredite o que algumas pessoas disseram a propósito da História portuguesa. Mas não é isso que é a ciência? Avançar corrigindo os erros?
Enviado: segunda-feira, 18 junho 2007 23:18
por Yagami
Até parece que lhes custa muito abrir o raio do túmulo para tirar umas fotos e um bocado do osso. Tanta cerimónia.
Enviado: segunda-feira, 18 junho 2007 23:42
por deputado zero
Eu tambem acho que deve ser aberto e investigado. Há que desmistificar o passado, porque o prestigio dos feitos ninguem lhos tira.
O poder de decisão da abertura do túmulo não deveria estar confinado a uma cupula mas sim ao povo em geral, se hoje em dia confiamos e em muito casos devemos o prelongamento das nossas vidas há ciencia e investigação, porque não avançar com mais uma cruzada.
Enviado: segunda-feira, 18 junho 2007 23:53
por daniel322
cá para mim eles sabem que não está lá o afonsinho e não querem deixar abrir pq ia estragar o turismo

Enviado: terça-feira, 19 junho 2007 1:47
por Leia
Para estudar ADN, basta um cabelo... agora como tem bastante idade, não sei se chegará. Daí que se calhar um osso seja melhor... mas com 200 e tais ossos que um corpo humano tem, será que não pode haver um que seja "estragado"?
Como sou das ciencias, é obvio que a minha opiniao recai sobre o sim. Para alem que já varias mumia foram estudadas há largos anos, tendo estas bem mais idade e a ciencia era menos desenvolvida.
Enviado: terça-feira, 19 junho 2007 1:57
por Carol
daniel322 Escreveu:cá para mim eles sabem que não está lá o afonsinho e não querem deixar abrir pq ia estragar o turismo

suspeita-se disso, daí talvez as reservas a abrir e abalar as convicções de muitos anos.
Enviado: terça-feira, 19 junho 2007 4:29
por dawn_to_dusk_
e depois ainda há questão de a fuga que a casa de banho do café santa cruz tinha que is a agua toda para o tumulo do D. Afonso Henriques... que se se infiltrou dentro do tumulo terá afectado ainda mais o corpo.
Enviado: terça-feira, 19 junho 2007 10:22
por Ricky147
Também concordo com a abertura do túmulo. Tanto receio, leva-me a crer que não está lá nada e não passa tudo dum mito!
Enviado: terça-feira, 19 junho 2007 10:48
por UrbanLife
Diário As Beiras Escreveu:Reitor da Universidade de Coimbra reitera pedido de abertura do túmulo de D. Afonso Henriques

O reitor da Universidade de Coimbra (UC) contestou ontem a decisão da ministra da Cultura de impedir a abertura do túmulo de D. Afonso Henriques. Segundo Pedro Santos, do Gabinete Comunicação da UC, Seabra Santos rebateu, “em termos científicos”, o despacho com que Isabel Pires de Lima proibiu uma equipa de investigação luso-espanhola, liderada pela antropóloga forense Eugénia Cunha, da Faculdade de Ciências e Tecnologia, de exumar os restos mortais do Rei Fundador, sepultado na Igreja de Santa Cruz, em Coimbra.
Fernando Seabra Santos tinha 10 dias úteis para responder ao despacho da ministra e, reiterando o pedido de abertura do túmulo, fê-lo ontem, dia em que terminava o prazo legal para contestar.
“O senhor reitor não fará comentários a este assunto até haver uma decisão final” de Isabel Pires de Lima, o que se verificará na resposta da ministra à Universidade, segundo a mesma fonte.
Pedro Santos, sem revelar pormenores da resposta de Seabra Santos à governante, adiantou que se trata de “uma contra-argumentação em termos científicos”, fundamentada nas opiniões de Eugénia Cunha, que estiveram na origem do projecto que visa estudar as ossadas de “O Conquistador”.
Em meados de Maio, a ministra da Cultura impediu a abertura do túmulo do primeiro rei de Portugal, concordando com um parecer do conselho consultivo do Instituto Português do Património Arquitectónico (IPPAR), que, fe ao pedido de autorização da UC para abrir o sarcófago real, considerou não estarem suficientemente acauteladas pela operação as questões de salvaguarda patrimonial.
Eugénia Cunha anunciou, no dia 18 de Maio, que a instituição refutaria com uma contra-argumentação técnica, científica e arqueológica todos os pontos que sustentaram a decisão de Isabel Pires de Lima, que recusou já por duas vezes, desde Julho de 2006, o pedido da professora do Departamento de Antropologia da Faculdade de Ciências e Tecnologia.
O físico Carlos Fiolhais, professor catedrático e director da Biblioteca Geral da Universidade de Coimbra, criticou naquela data a decisão da ministra da Cultura de impedir a abertura do túmulo para fins científicos, considerando que “se perde uma oportunidade excelente de juntar a Ciência à História”.
Esta semana, em entrevista à agência Lusa, o historiador José Mattoso concordou com a não abertura imediata do túmulo de D. Afonso Henriques, por haver risco de se destruírem os vestígios existentes, mas admitiu que a análise seria “muito interessante” do ponto de vista historiográfico.
Tendo em conta que a análise do ADN implica a destruição dos materiais utilizados, José Mattoso, autor de uma biografia do monarca sepultado em Coimbra, afirmou que é mais prudente esperar pelo desenvolvimento de novos métodos que não impliquem a destruição.
O historiador disse “respeitar” o parecer técnico do IPPAR que aconselha a não abertura neste momento da arca tumular do primeiro rei, tanto mais que “tem havido várias investigações de ADN que não têm atingido resultados evidentes e arriscávamo-nos a destruir para sempre os vestígios que existem”.
Mais uma perspectiva a adicionar à discussão.
Enviado: terça-feira, 19 junho 2007 11:00
por Lino
dawn_to_dusk_ Escreveu:e depois ainda há questão de a fuga que a casa de banho do café santa cruz tinha que is a agua toda para o tumulo do D. Afonso Henriques... que se se infiltrou dentro do tumulo terá afectado ainda mais o corpo.
Se isso acontecia o corpo então está em péssimo mau estado: água + calcário + detritos + tempo = destruição.
Enviado: terça-feira, 19 junho 2007 14:34
por duffy
Eu também sou da opinião que já la não está nada

Enviado: sexta-feira, 29 junho 2007 11:58
por Lion
Lino Escreveu:dawn_to_dusk_ Escreveu:e depois ainda há questão de a fuga que a casa de banho do café santa cruz tinha que is a agua toda para o tumulo do D. Afonso Henriques... que se se infiltrou dentro do tumulo terá afectado ainda mais o corpo.
Se isso acontecia o corpo então está em péssimo mau estado: água + calcário + detritos + tempo = destruição.
Mas por acaso o café santa cruz n fica do lado contrário?
Como é possivel? Ainda se fosse tumulo do D SanchoI...n sei deve ser mais uma daquelas fábulas n....
Enviado: sexta-feira, 29 junho 2007 12:04
por Lino
Pois... mas há sempre canalização... por vezes tb tinha dúvidas, mas agora sei ao certo qual é o túmulo de quem...